quinta-feira, 5 de maio de 2011

TEMPO MÁGICO




Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquela menina que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ela chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço. 
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte. 
Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos. Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos para reverter a miséria do mundo. Não quero que me convidem para eventos de um fim de semana com a proposta de abalar o milênio. 
Já não tenho tempo. Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões de "confrontação", onde "tiramos fatos a limpo".Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral. 
reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos e regimentos internos. Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos. 
Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: "as pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos".Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa... 
Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja tão somente andar ao lado de Deus. 
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo. O essencial faz a vida valer a pena. 



terça-feira, 3 de maio de 2011

CEREJAS










Gosto até só de ficar só olhando... 


Como com a boca e com os olhos...

Muitos comem com os olhos... e ficam imaginando seu

gosto...

Por que não provar o que se tem vontade? 


Comprazer-se sozinho é egoísmo. Convide seu par... Divida o 


que é bom.


Pecar junto é divino...Mesmo que a gula seja pecado. 


Sofreguidão é fome de vida...


Sou esganada sim. Quero tudo... até o fim.


A festa, as pessoas, o bolo. 


Em especial as cerejas do bolo. 


Como-as até o cabo.






Em breve no meu Livro " Feminino Selvagem"

sexta-feira, 29 de abril de 2011

TRÊS IMPULSOS




Tenho em mim impulsos fortes que me movem na vida: sou ansiosa pelo amor, a busca do conhecimento e a dolorosa piedade pelo sofrimento da humanidade.

Quando mais nova os sentimentos procuram o conhecimento verdadeiro, simples e direto, e ele se apresenta com toda a sua explosão, com forte desejo, de impedir a parte racional do ser humano de elaborar novas visões. 


Nessa idade, o sentimento do amor é como mágica, ou conto de fadas com um objetivo primário e pessoal a revelar à mágica como única solução.

Porém a busca do ser humano pelo conhecimento, não é determinada pela sua idade ou situação econômica, mais simplesmente pelo andar da própria vida, pois ela se torna indispensável para a sobrevivência.

Então conhecer a si mesmo e aos outros e o primeiro nos ajuda a compreender a sociabilidade do ser humano com tudo que lhe rodeia e este descobre valores no desconhecido.

Que  neste momento  alcança segurança para dizer: “Eu sei”.

Vê que  os anos vão passando, e este se põe em busca do amor perfeito, do eterno conhecimento, pois o ser humano é governado pelos sentimentos e não consegue ser tolerante consigo mesmo ou com os parentes mais próximos, mais sim com a sociedade, até cala-se perplexo diante das atrocidades,  pois parece não identificar-se com aqueles seres.

A piedade é um sentimento do homem que prevalece diante das injustiças da sociedade que o homem mesmo criou.

Por isso, são estas três paixões que me movem, já que conheci e experimentei todos os sentimentos, compreendi suas funções e objetivos  mesmo que fossem eles positivos ou negativos e intensos, leves e  longos , rápidos  e fortes ou fracos.

Foram eles que possibilitaram me ensinaram as Artes das Artes, da Ciência, da Tecnologia, da Língua escrita e oral. Ensinaram-me a viver o mistério da vida.

Assim escolhi então viver a vida intensamente até o fim de meus dias, ainda que ela possua indecifrável mistério, ainda que ela não me permita conhecer tudo, compreender tudo, mas continue me ensinando a amar a todos.



Leila Sl  Ribeiro Uzum

segunda-feira, 25 de abril de 2011

PÁSCOA



Próximo da Páscoa, o professor de Ciências de uma escola inicia a sua aula com a seguinte frase "A história da Páscoa é um mito". "Jesus não saiu do tumulo," continuou, "mas, primeiramente, não existe nenhum Deus no céu que possa permitir que seu filho seja crucificado."
"Senhor, eu acredito em Deus", Jimmy protestou. "E eu acredito que ele ressuscitou!"
"Jimmy, você pode acreditar no que você quiser, é claro," o professor respondeu. "Porém, no mundo real não existe a possibilidade de tais milagres, como a ressurreição. Ninguém que acredite em milagres pode respeitar a ciência."
"Deus não é limitado pela ciência," Jimmy respondeu. "Ele criou a ciência!"
Incomodado com o modo como Jimmy defendia sua fé, o professor propôs um experimento científico. Foi até a geladeira e pegou um ovo de galinha.
"Eu vou deixar este ovo cair no chão," começou o professor. "A gravidade vai fazer com que ele caia no chão e se despedace."
Olhando fixamente para Jimmy, ele continuou: "Agora, Jimmy, eu quero que você faça uma oração e peça ao seu Deus para que quando eu soltar este ovo ele não caia no chão e se quebre. E se ele conseguir fazer isto, você terá provado que Deus existe, e eu terei que admitir isso."
Após pensar por um momento sobre o desafio, Jimmy lentamente começou sua oração. "Querido Pai celeste," ele iniciou. "Eu peço que quando o meu professor soltar este ovo... ele caia no chão e se quebre em uma centena de pedaços! E também, Senhor, eu peço que quando este ovo quebrar, meu professor tenha um ataque cardíaco fulminante e morra. Amém."
Após os cochichos da classe, veio um silêncio funebre. Por um momento o professor nao fez nada. E por fim ele olhou para o Jimmy e depois para o ovo. E, sem dar uma palavra, ele cuidadosamente devolveu o ovo na geladeira.
"Classe dispensada" disse o professor enquanto sentava na sua cadeira.
O professor aparentemente acreditava mais em Deus do que ele mesmo imaginava. Muitas pessoas são como este professor, negam que Deus existe, mas correm para ele nos momentos difíceis. Porém, questionam e o atacam todas as vezes que tem chance. Jimmy sabia que Deus não iria matar o seu professor naquele momento, mas também sabia que seu professor nao apostaria sua vida por um ovo.
Quando sua vida está em jogo a idéia de que Deus existe parece fazer mais sentido.

João 10:11 "Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas."

Nesta data especial, comemoramos o sacrifício de Cristo na Cruz por nós, deu-nos a chance de termos uma nova vida, remiu todos os nossos pecados, lembre-se sempre da real data da Páscoa, pois Ele esteve na Cruz por mim e por você, por amor e porque nos quer junto de Deus através dele .

Páscoa significa a ressurreição de Jesus Cristo e o ovo da Páscoa simboliza a vida!


A festa tradicional associa a imagem do coelho, a um símbolo de fertilidade, e ovos pintados com cores brilhantes, representando a luz solar, dados como presentes.
A origem do símbolo do coelho vem do fato de que os coelhos são 
notáveis por sua capacidade de reprodução. 
Como a Páscoa é ressurreição, é renascimento, nada melhor do que coelhos, para simbolizar a fertilidade!
Há muitos costumes ligados ao período pascal,  que  originam-se dos festivais pagãos da primavera. 
Neste período há também a celebração do Pessach, ou Passover, a Páscoa judaica. 
Que é  uma das mais importantes festas do calendário judaico,  celebrada por 8 dias e  comemora o êxodo dos israelitas do Egito durante o reinado do faraó Ramsés II, da escravidão para a liberdade. 
Portanto  um ritual de passagem, assim como a "passagem" de Cristo,  da morte para a vida. 





segunda-feira, 18 de abril de 2011

PRAÇA




Passo todos os dias por aquela praça
Sinto uma saudade de algo distante
Ao olhar por entre os galhos de árvores
Vejo os lânguidos dedos dourados do sol
Infiltrando-se por entre folhas esvoaçantes
De arvores que estão lá há décadas
E guardam muitas histórias
Da infância a adolescência,
Guarda o sorriso e a alegria
Que por um lapso se perderam no tempo.
Mas ali ficaram gravadas,
Para lembrar-me hoje,
Como foram bons aqueles momentos.
Quando corri pelas escadas e refresquei-me
Nas  águas inéditas da fonte.
Que produzia um arco Iris
E revelava bem ali
O pote de ouro
Presente no amor mais sincero que conheci.
Hoje então compreendi, porque ao passar por ali...
Sinto algo bom a tocar minha mente
E a alegria refletir em meu peito
Algo quase incompreensível
Mas que  remete-me ao Contentamento,
De estar na Praça que é coração da Cidade
E habita profundamente minhas lembranças 
Faz parte da minha história
Onde sempre encontrei 
Graças...
Ela chama-se Sé.

Leila S Ribeiro Uzum


Fotos : DULCE

domingo, 17 de abril de 2011

MULHER SELVAGEM




Nesta crônica quero fazer uma homenagem a um tipo especial de mulher. Eu a chamo de mulher selvagem. Sua beleza é arisca, arredia aos modismos. Ela encanta por um não-sei-quê indefinível... mas que também agride o olhar. É um tipo raro e não tem habitat definido: vive em Catmandu, mora no prédio ao lado ou se mudou ontem para Barroquinha. E não deixou o endereço.


A mulher selvagem em quase tudo é uma mulher comum: pega metrô lotado, aproveita as promoções, bota o lixo para fora e tem dia que desiste de sair porque se acha um trapo. Porém em tudo que faz exala um frescor de liberdade. E também dá arrepios: você tem a impressão que viu uma loba na espreita. Você se assusta, olha de novo... e quem está ali é a mulher doce e simpática, ajeitando dengosa o cabelo, quase uma menininha. Mas por um segundo você viu a loba, viu sim. É ela, a mulher selvagem.

A sociedade tenta mas não pode domesticá-la, ela se esquiva das regras. Quando você pensa que capturou, escapole feito água entre os dedos. Quando pensa que finalmente a conhece, ela surpreende outra vez. Tem a alma livre e só se submete quando quer. Por isso escolhe seus parceiros entre os que cultuam a liberdade. E como os reconhece? Como toda loba, pelo cheiro, por isso é bom não abusar de perfumes. Seu movimento tem graça, o olhar destila uma sensualidade natural - mas, cuidado, não vá passando a mão. Ela é um bicho, não esqueça. Gosta de afago mas também arranha.

Repare que há sempre uma mecha teimosa de cabelo: é o espírito selvagem que sopra em sua alma a refrescante sensação de estar unida à Terra. É daí que vem sua beleza e força. E sua sabedoria instintiva. Sim, ela é sábia pois está em harmonia com os ritmos da Natureza. Por isso conhece a si mesma, sabe dos seus ciclos de crescimento e não sabota a própria felicidade. Como todo bicho ela respeita seu corpo mas nem sempre resiste às guloseimas. Riponga do mato, gabriela brejeira? Não necessariamente, a maioria vive na cidade. E há dias paquera aquele pretinho básico da vitrine. E adora dançar em noite de lua. Ah, então é uma bruxa... Talvez, ela não liga para rótulos. Sabe que a imensidão do ser não cabe nas definições.

Mulheres gostam de fazer mistério. Ela não, ela é o mistério. Por uma razão simples: a mulher selvagem sabe que a vida é uma coisa assombrosa e perfeita, e viver o mais sagrado dos rituais. Ela sente as estações e se movimenta de acordo com os ventos, rindo da chuva e chorando com os rios que morrem. Coleciona pedrinhas, fala com plantas e de uma hora para outra quer ficar só, não insista. Não, ela não é uma esotérica deslumbrada mas vive se deslumbrando: com as heroínas dos filmes, aquela livraria nova, o CD do fulano... Ela se apaixona, sonha acordada e tem insônia por amor. As injustiças do mundo a angustiam mas ela respira fundo e renova sua fé na humanidade. Luta todos os dias por seus sonhos, adormece em meio a perguntas sem respostas e desperta com o sussurro das manhãs em seu ouvido, mais um dia perfeito para celebrar o imenso mistério de estar vivo.

Ela equilibra em si cultura e natureza, movendo-se bela e poética entre os dois extremos da humana condição. Ela é rara, sim, mas não é uma aberração, um desvio evolutivo. Pelo contrário: ela é a mais arquetípica e genuína expressão da feminilidade, a eterna celebração do sagrado feminino. Ela está aí nas ruas, todos os dias. A mulher selvagem ainda sobrevive em todas as mulheres mas a maioria tem medo e a mantém enjaulada. Ela é o que todas as mulheres são, sempre foram, mas a grande maioria esqueceu.

Felizmente algumas lembraram. Foram incompreendidas, sim, mas lamberam suas feridas e encontraram o caminho de volta à sua própria natureza. Esta crônica é uma homenagem a ela, a mulher selvagem, o tipo que fascina os homens que não têm medo do feminino. Eles ficam um pouco nervosos, é verdade, quando de repente se vêem frente a frente com um espécime desses. Por isso é que às vezes sobem correndo na primeira árvore. Mas é normal. Depois eles descem, se aproximam desconfiados, trocam os cheiros e aí... Bem, aí a Natureza sabe o que faz.

Ricardo Kelmer 

quinta-feira, 14 de abril de 2011

CAFÉ



Café,
Adoro esse líquido que traz  vivacidade 
Com cheiro bom,
De manhãs e tardes animadas,
Que desperta a vontade,
Principalmente quando se está entre amigos.
Num bom bate papo,
Aquece no frio. 
E no calor descontrai.
Tem sabor da alegria,
Que flui das boas conversas 
Desperta o sono e
Aviva o espírito,
Com largos sorrisos.
Possui muito valor.
Apaixonante,
Torna alguns  fixionados
A fazer da busca pela xícara perfeita
uma profissão
Como expressão de amor.

Leila S Ribeiro Uzum
14/04/2011