domingo, 13 de março de 2011

ASAS



Abro meus braços ao céu,
Com o impulso de meus pés posso subir
E vôo bem alto,
Vou em direção ao léu,
Sobrevoou mil mundos,
Vislumbro o espaço,
E ainda tenho um universo...
Meus pensamentos são minhas asas
Elas me levam das sombras
Para a luz.
E de volta pra casa.
Com elas chego onde desejo,
Sinto-me então leve
Para estar no presente.
Logo a realidade vem confirmar
A materialidade do benfazejo.
São passos da essência,
Que dissipam o superficial,
É gratuidade universal.
Do verdadeiro,
Intenso e profundo,
Que há de se revelar o mundo.
Numa palavra, num toque,
Num olhar...
No perfeito contrafundo,
Do que se pode observar.
Por gestos que marcam e ficam
Para sempre
Na matéria e na alma,
Porque o amor acalma,
E o ser salva.
São estas asas,
Que proporcionam altos vôos
Até a luz mais translúcida,
Ao ar que purifica,
Do amor que refaz
Até o Sol de minha’lma.

Leila S Ribeiro Uzum

terça-feira, 8 de março de 2011

MULHER



Mulher !!!
De alma bonita,
Tem muita garra,
Exala amor...
Tem beleza
Implícita,
Na fragrância
De perfumes mil.
Tem olhos da alma,
Tem mãos que amparam,
Tem palavra que acalma,
Tem colo que aconchega,
E carinho que consola.
Leva a beleza,
E com olhos felinos,
Manifesta a tigresa
De quem também possui a nobreza.
Em seus braços
Acolhe o mundo
E no sorriso
Conquista tudo.
Em uma unica pessoa manifesta todas elas:
Mãe,filha, amiga, namorada, esposa,
Amante, tia , avó, prima, sobrinha,
Bisavó, madrinha,
E tudo  mais,
Que possa ser.
Como fera ferida
Tem sempre a esplêndida capacidade
De ser  Fênix
E tornar-se sempre renascida.
Relacionando-se sempre.
Tem corpo de sereia
E a força do Leão,
Que amolece o coração.
Molda-se ao tempo,
É esculpida pelo vento,
Terras, pedras e areia
São compostos do emolduramento,
Que causa admiração.
Pela magia,
Pelo mistério,
Que parece feitiço
Ou quem sabe sortilégio.
É na verdade encantamento,
Pois já foi Dita,
Hoje é Rainha
Contém a menina
Que o futuro sempre fita.
Cultiva com suas sementes,
Um belo Jardim.
E com amor faz produzir
Árvores, flores e  frutos,
Num encanto sem fim.
É a mulher o mais belo ser
Povoa o mundo,
Mostra o que tem no fundo,
A cada amanhecer.
É quem dá a luz,
Faz crescer,  
Ajuda a envelhecer
Mas principalmente rejuvenescer.

Leila S Ribeiro Uzum

08/03/2011



sexta-feira, 4 de março de 2011

ABRIR AS JANELAS DA ALMA

                                            

Os sentimentos normalmente são externalizados por emoções que se transformam em lentes que filtram os acontecimentos, dando-lhes cor e conotação próprias. 
De acordo com a estrutura e o momento psicológico, os fatos passam a ter significação que nem sempre correspondem à realidade. 
Quem se utiliza de óculos escuros, mesmo diante da claridade solar, passa a ver o dia com menor intensidade de luz. 
Na área do relacionamento humano as ocorrências também assumem contornos de acordo com o estado de alma das pessoas envolvidas. 
Portanto, a necessidade de conduzir os sentimentos e as emoções, de modo a equilibrar os fatos em relação a eles,depende essencialmente da maneira como cada indivíduo sabe lidar com determinadas circunstâncias. 
Uma atitude sensata é um abrir de janelas na alma, a fim de observar bem os sucessos da caminhada humana. 
De acordo com a dimensão e o tipo de abertura, será possível observar a vida e vivê-la de forma agradável, mesmo nos momentos mais difíceis. 
           Há quem abra janelas na alma para deixar que se externem as impressões negativas, facultando o uso das lentes escuras, que a tudo sombreiam com o toque pessimista de censura e de reclamação.

Pense nisso!

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

VIVA E APRENDA A VIVER



Descobrir a cada dia 
essência do existir
Aprender o novo ,
Não ficar ansioso.
Relaxar e aquietar a mente...
Para que seja possível ouvir e sentir...
É no silêncio que observa-se as mentes.
Que falam de sonhos, desejos ,
Convicções e frustrações,
Como se fossem bordões.
Mas cada alma é uma estrada,
Com flores e espinhos,
Talvez cheias de granadas.
As vezes a colorir, outras a ferir...
Que quando floridas exalam deliciosas fragrâncias 
Para o mundo sentir.
E cada ser encanta com o que é.
Embora guardem verdades 
A sete chaves, 
No recondido da alma
Para não se ver.
São labirintos da mente de um ser.
Sem cobrar ouve-se apenas o falar,
Sem julgar descobre-se...
A maravilha do conviver.
A quietude faz refletir
E o frescor da noite provoca o insight
Vindo da lembrança
Reprimida da criança,
Que espera por sorrir.
Então surge a liberdade,
Para dizer sim a vida todos os dias,
Para amar-se a cada instante
Assim como ao seu semelhante.
Na intenção secreta,
De criar um mundo  mais interessante,
A cada um que vê o próximo,
Assim como o criador o vê.
Então  viva e aprenda a viver.




Leila S Ribeiro Uzum








quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

LER O LIVRO DA VIDA




Ler o mundo é uma aprendizagem cotidiana,
Exigente e fascinante. 
Isso é possível 
Porque o livro da vida é sempre tão plural 
Que faz de todos leitores sem que muitos o saibam.
Alguns são leitores vorazes de livros impressos, 
Outros, nem tanto, 
E há aqueles que nunca entraram em contato com o mundo dos livros. 
Mas a ninguém é negado o acesso à leitura do mundo. 
Assim, estamos condenados a dar sentido ao livro da vida."

MUDANÇA SEM FIM



Perdida entre florestas e sombras de ilusão
Guiada por pequenos passos invisíveis de amor
Jogada aos chutes pelo ódio do opressor
Salva pelas mãos delicadas de anjos
Reerguida, mais forte, redimida,
Anjos encontro sempre
Luto por justiça, amor e paz
E o amor sempre busco em tudo e em todos
Então sou bem menos do que desejo ser
Pura, sábia  e desapegada
Justa, mesmo que por um instante,
Forte, mesmo sem músculos,
E corajosa o suficiente para dizer “tenho medo”
Então sou eu além daquela que aqui está?
Sou várias, pela possibilidade de mudar.
A que aqui estava nunca mais estará
Sou eu o que fui em busca  cada vez mais do que quero ser
Mudo, caio, ergo, sumo, apareço, bato, apanho, odeio, amo…
Mas amo muito mais, porque sei que,
O momento seguinte será diferente
Por estar buscando  caminho da perfeição
Reconheço que sou cheia de imperfeições
Portanto sou o que você vê…
Ou o que quero mostrar,
Mas se olhar por mais de um segundo,
Verá vários “eus”,
Menina, criança, adolescente e mulher.
Enfim sou eu o que fui, 

Eu o que sou 
E o eu  que serei.
Numa mudança sem fim...

Leila S Ribeiro Uzum

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

EM QUE PÉ ANDA A EDUCAÇÃO?



Encontrei este texto na internet  e achei de suma importância a reflexão que ele faz sobre a educação, por isso resolvi postá-lo , assim como uma outra pessoa já o fez.
Penso que refletir sobre a educação seria obrigação, já que o futuro do Pais está sendo impresso no agora, porém muito mais que a educação nas escolas, é preciso repensar a inversão de valores e o tipo educação que as famílias tem dado as seus filhos em casa, pois já dizia minha avó ..."COSTUME DE CASA VAI A RUA."

 Vale uma leitura!



(Eu acuso !)

(Tributo ao professor Kássio Vinícius Castro Gomes)


« Mon devoir est de parler, je ne veux pas être complice. (Émile Zola)
Meu dever é falar, não quero ser cúmplice. (...) (Émile Zola)


Foi uma tragédia fartamente anunciada. Em milhares de casos, desrespeito. Em outros tantos, escárnio. Em Belo Horizonte , um estudante processa a escola e o professor que lhe deu notas baixas, alegando que teve danos morais ao ter que virar noites estudando para a prova subsequente. (Notem bem: o alegado “dano moral” do estudante foi ter que... estudar!).

A coisa não fica apenas por aí. Pelo Brasil afora, ameaças constantes. Ainda neste ano, uma professora brutalmente espancada por um aluno. O ápice desta escalada macabra não poderia ser outro.

O professor Kássio Vinícius Castro Gomes pagou com sua vida, com seu futuro, com o futuro de sua esposa e filhas, com as lágrimas eternas de sua mãe, pela irresponsabilidade que há muito vem tomando conta dos ambientes escolares.

Há uma lógica perversa por trás dessa asquerosa escalada. A promoção do desrespeito aos valores, ao bom senso, às regras de bem viver e à autoridade foi elevada a método de ensino e imperativo de convivência supostamente democrática.

No início, foi o maio de 68, em Paris: gritava-se nas ruas que “era proibido proibir”. Depois, a geração do “não bate, que traumatiza”. A coisa continuou: “Não reprove, que atrapalha”. Não dê provas difíceis, pois “temos que respeitar o perfil dos nossos alunos”. Aliás, “prova não prova nada”. Deixe o aluno “construir seu conhecimento.” Não vamos avaliar o aluno. Pensando bem, “é o aluno que vai avaliar o professor”. Afinal de contas, ele está pagando...

E como a estupidez humana não tem limite, a avacalhação geral epidêmica, travestida de “novo paradigma” (Irc!), prosseguiu a todo vapor, em vários setores: “o bandido é vítima da sociedade”, “temos que mudar ‘tudo isso que está aí’; “mais importante que ter conhecimento é ser ‘crítico’.”

Claro que a intelectualidade rasa de pedagogos de panfleto e burocratas carreiristas ganhou um imenso impulso com a mercantilização desabrida do ensino: agora, o discurso anti-disciplina é anabolizado pela lógica doentia e desonesta da paparicação ao aluno – cliente...

Estamos criando gerações em que uma parcela considerável de nossos cidadãos é composta de adultos mimados, despreparados para os problemas, decepções e desafios da vida, incapazes de lidar com conflitos e, pior, dotados de uma delirante certeza de que “o mundo lhes deve algo”. 

Um desses jovens, revoltado com suas notas baixas, cravou uma faca com dezoito centímetros de lâmina, bem no coração de um professor. Tirou-lhe tudo o que tinha e tudo o que poderia vir a ter, sentir, amar.

Ao assassino, corretamente , deverão ser concedidos todos os direitos que a lei prevê: o direito ao tratamento humano, o direito à ampla defesa, o direito de não ser condenado em pena maior do que a prevista em lei. Tudo isso, e muito mais, fará parte do devido processo legal, que se iniciará com a denúncia, a ser apresentada pelo Ministério Público. A acusação penal ao autor do homicídio covarde virá do promotor de justiça. Mas, com a licença devida ao célebre texto de Emile Zola, EU ACUSO tantos outros que estão por trás do cabo da faca:

EU ACUSO a pedagogia ideologizada, que pretende relativizar tudo e todos, equiparando certo ao errado e vice-versa;

EU ACUSO os pseudo-intelectuais de panfleto, que romantizam a “revolta dos oprimidos”e justificam a violência por parte daqueles que se sentem vítimas;

EU ACUSO os burocratas da educação e suas cartilhas do politicamente correto, que impedem a escola de constar faltas graves no histórico escolar, mesmo de alunos criminosos, deixando-os livres para tumultuar e cometer crimes em outras escolas;

EU ACUSO a hipocrisia de exigir professores com mestrado e doutorado, muitos dos quais, no dia a dia, serão pressionados a dar provas bem tranqüilas, provas de mentirinha, para “adequar a avaliação ao perfil dos alunos”;

EU ACUSO os últimos tantos Ministros da Educação, que em nome de estatísticas hipócritas e interesses privados, permitiram a proliferação de cursos superiores completamente sem condições, freqüentados por alunos igualmente sem condições de ali estar;

EU ACUSO a mercantilização cretina do ensino, a venda de diplomas e títulos sem o mínimo de interesse e de responsabilidade com o conteúdo e formação dos alunos, bem como de suas futuras missões na sociedade;

EU ACUSO a lógica doentia e hipócrita do aluno-cliente, cada vez menos exigido e cada vez mais paparicado e enganado, o qual, finge que não sabe que, para a escola que lhe paparica, seu boleto hoje vale muito mais do que seu sucesso e sua felicidade amanhã;

EU ACUSO a hipocrisia das escolas que jamais reprovam seus alunos, as quais formam analfabetos funcionais só para maquiar estatísticas do IDH e dizer ao mundo que o número de alunos com segundo grau completo cresceu “tantos por cento”;

EU ACUSO os que aplaudem tais escolas e ainda trabalham pela massificação do ensino superior, sem entender que o aluno que ali chega deve ter o mínimo de preparo civilizacional, intelectual e moral, pois estamos chegando ao tempo no qual o aluno “terá direito” de se tornar médico ou advogado sem sequer saber escrever, tudo para o desespero de seus futuros clientes-cobaia;

EU ACUSO os que agora falam em promover um “novo paradigma”, uma “ nova cultura de paz”, pois o que se deve promover é a boa e VELHA cultura da “vergonha na cara”, do respeito às normas, à autoridade e do respeito ao ambiente universitário como um ambiente de busca do conhecimento;

EU ACUSO os “cabeça – boa” que acham e ensinam que disciplina é “careta”, que respeito às normas é coisa de velho decrépito,

EU ACUSO os métodos de avaliação de professores, que se tornaram templos de vendilhões, nos quais votos são comprados e vendidos em troca de piadinhas, sorrisos e notas fáceis;

EU ACUSO os alunos que protestam contra a impunidade dos políticos, mas gabam-se de colar nas provas, assim como ACUSO os professores que, vendo tais alunos colarem, não têm coragem de aplicar a devida punição.

EU VEEMENTEMENTE ACUSO os diretores e coordenadores que impedem os professores de punir os alunos que colam, ou pretendem que os professores sejam “promoters” de seus cursos;

EU ACUSO os diretores e coordenadores que toleram condutas desrespeitosas de alunos contra professores e funcionários, pois sua omissão quanto aos pequenos incidentes é diretamente responsável pela ocorrência dos incidentes maiores;

Uma multidão de filhos tiranos que se tornam alunos -clientes, serão despejados na vida como adultos eternamente infantilizados e totalmente despreparados, tanto tecnicamente para o exercício da profissão, quanto pessoalmente para os conflitos, desafios e decepções do dia a dia.

Ensimesmados em seus delírios de perseguição ou de grandeza, estes jovens mostram cada vez menos preparo na delicada e essencial arte que é lidar com aquele ser complexo e imprevisível que podemos chamar de “o outro”.

A infantilização eterna cria a seguinte e horrenda lógica, hoje na cabeça de muitas crianças em corpo de adulto: “Se eu tiro nota baixa, a culpa é do professor. Se não tenho dinheiro, a culpa é do patrão. Se me drogo, a culpa é dos meus pais. Se furto, roubo, mato, a culpa é do sistema. Eu, sou apenas uma vítima. Uma eterna vítima. O opressor é você, que trabalha, paga suas contas em dia e vive sua vida. Minhas coisas não saíram como eu queria. Estou com muita raiva. Quando eu era criança, eu batia os pés no chão. Mas agora, fisicamente, eu cresci. Portanto, você pode ser o próximo.”

Qualquer um de nós pode ser o próximo, por qualquer motivo. Em qualquer lugar, dentro ou fora das escolas. A facada ignóbil no professor Kássio dói no peito de todos nós. Que a sua morte não seja em vão. É hora de repensarmos a educação brasileira e abrirmos mão dos modismos e invencionices. A melhor “nova cultura de paz” que podemos adotar nas escolas e universidades é fazermos as pazes com os bons e velhos conceitos de seriedade, responsabilidade, disciplina e estudo de verdade.



Igor Pantuzza Wildmann