O mundo em constantes transformações, que atualmente se dão alucinadamente, e tornam-se visíveis até mesmo sexualmente, onde novos seres se diversificam por suas escolhas surgindo como andrógenos do mundo contemporâneo.
Causam a impressão de que estamos dentro de um buraco negro. Onde vejo surgir a atrocidade da violência e agressividade explicitas no mundo atual o mesmo impulso nazista com desejo de extinção.
Vejo o terror levantar-se de sobressalto na impossibilidade da re-significação do instinto de morte, manifestar-se nas guerras, nas gangues, nas torcidas, nos jovens, nos militares em toda gama da sociedade.
Assim como também vejo muitos tentarem arrancar do fluxo da vida, respostas em busca de saídas para a realização da justiça, onde as escolhas deveriam permear o sim, sim e não, não.
A história vai se concretizando no confronto, que faz surgir o novo, seja bom ou mau, fazendo com que os processos naturais sejam engolidos, ou seja, o agora engole o passado e avança para o futuro, na ânsia de ser, fazer e acontecer , então o indivíduo vai tornando-se autor da história, que de tempos em tempos, buscam reformas.
E quando as revoltas insurgem, fazendo o ser buscar de maneira desesperada e maciça a apropriação de algo próprio, de algo que foi perdido ou tirado em algum lugar do tempo e no espaço, que se apresenta novamente como objeto de disputa numa representação simbólica totalmente diferente.
Resta-me porém como psicanalista perder-me nos meandros do mundo contemporâneo , para pensar em extensão, e viver os mesmos sentimentos , experimentando as mesmas opressões, levada pelos eventos diários à indignação, suportando as marcas fragmentárias da violência e agressividade do mundo , para tentar pensar uma cidadania destruída como forma de reconstrução, pelo amor e pela arte.
Através da Sublimação no riso, na solidariedade, no ceder, na vontade expressa, no viver livremente, na escolha do exercício do amor.
O Silencio me levou à várias reflexões e descobertas, hoje encontrei um texto, que esclarecia algo muito importante, pelo menos pra mim, ele dizia:
" Os primeiros músicos, tentando criar música, e tentavam porque queriam encontrar uma forma de transmitir o silêncio, a beleza, a calma e a suavidade que sentiam na meditação.
Seguiram muitos caminhos, pois a música é um jogo entre o som e o silêncio, embora todas as artes tenham origem na meditação, a musica é que mais se aproxima do silêncio.
Para o músico comum o som é muito importante, para o mestre da música o silêncio é onde tudo se inicia e onde tudo termina.
Pois ele usa o som para criar o silêncio.
Eleva o som até a mais alta nota, depois deixa-o cair de forma tão súbita que se torna imerso em profundo silêncio ."
Pensando assim, descobri que o silêncio vem surgindo do nosso interior, aprendemos calar a mente, não respondendo aos impulsos de forma imediata, ele vai tomando conta espalhando-se e expandindo para fora do ser.
Assim podemos transmitir o que se chama paz, deixamos de guerrear por dentro e por fora.
Nada acontece por acaso, e Jung já dizia que tudo no universo está interligado por um tipo de vibração.
Para ele duas dimensões físicas e não físicas estão em algum tipo de sincronia que fazem certos eventos isolados parecerem repetidos em perspectivas diferentes.
A sincronicidade é definida como uma coincidência significativa entre eventos psíquicos e físicos.
Jung postula que tais coincidências apóiam-se em organizadores que geram por um lado imagens e eventos físicos em fato concretizado, sendo que, esta ligação não é causal.
Alguns podem pensar, dizer ou até repugnar tais situações em uma atitude de negação a sua própria capacidade humana sobrenatural inerente à psique.
Esses fenômenos sincrônicos manifestam-se com muita freqüência, e isso ocorre em níveis de menor consciência, ou melhor , quando um ser entra em estado alfa, como em sonhos, meditações ou devaneios, em momentos em que a idéia de tempo e espaço não reina, e para Jung a sincronicidade depende da presença da afetividade, ou seja, sensibilidade estimulada pelo emocional.
Porém Jung coloca a sincronicidade como algo abrangente do todo, algo que existe no inconsciente como conhecimento, que nos vem à consciência como sabedoria, através de pensamentos, intuições e insights.
Segundo ele esses pensamentos são como pássaros, que chegam e fazem seu ninho nas árvores da consciência por algum tempo e depois alçam novos vôos, são esquecidos e desaparecem.
É por isso que tenho sempre papel e caneta à mão, para não perder a beleza desses pássaros no tempo.
Para Jung no inconsciente não há segredo, ele sabe tudo que há no mundo, e pode-se comparar esse conhecimento ao “ Olho de Deus” , o Olho que tudo vê ou o Grande irmão, o que pensamos que é, é o que somos, e que pode ser acessado pelo mergulho na escuridão do inconsciente.
Ele relaciona a organização acasual no mundo, sem referência à psique humana, pois antes de nós existirmos já existia uma organização gerada pela sincronicidade que é responsável por todos os atos da criação, onde o ser humano tem desempenhado papel especial no universo.
Uma vez que o inconsciente é capaz de refletir o Cosmos e introduzi-lo no espelho da consciência através da realidade.
Podemos testemunhar o Criador e as obras criativas no interior, basta prestar atenção à imagem e à sincronicidade através dos arquétipos representantes psíquicos, expressos do pensamento, materialização do fluído que reflete a real estrutura básica do universo.
“Como é em cima assim é embaixo.”
“Como dentro assim é fora.”
Carl Jung responde ao mundo moderno, no livro “ O mapa da Alma.” Dizendo:
“O padrão de Deus existe em cada homem, e que se esse padrão é a maior energia transformadora de que a vida é capaz de dispor ao indivíduo. Encontre esse padrão em você mesmo e a vida será transformadora. C.G.Jung.
Podemos concluir que a sincronicidade é a linguagem do Divino para Orientar nossa vida, sendo um caminho para que o ser humano escute a si mesmo através das intuições.
Para passar pela transformação, que exige muita coragem para abandonar velhas estruturas construídas durante a vida e poder seguir os sinais que indicam o novo caminho.
Torna-se necessário largar as muletas , sair da inércia, abandonar o concreto , e isso exige vontade, decisão e fé.
Para deixar de chorar quando as coisas mudarem e fugirem de nossas mãos. Aceitando que a vida não nos pertence, ela é guiada por uma trama de fios complexos, que somente a ligação com o criador nos capacita a enxergar os sinais do caminho e da ação correta, a ação aceita que se entrelaça amorosamente com os desígnios Divinos.
Enfim nos submetermos e apenas vivermos cada momento intensamente, deixando de ser um ego controlador de tudo a todo custo, uma vez que cedendo aos acontecimentos mudamos.
“Onde o espaço, o tempo e a causalidade é a tríade da Física Clássica complementada pela sincronicidade que se converte em Tétrade, um quartênio que nos possibilita o julgamento da totalidade ( CGJ VIII pag. 951)”
Os arquétipos constantes psicofísicos da Natureza (símbolos e imagens pensadas e sentidas ) são fatores estruturantes criativos da vida humana e de toda sua experiência.
“Como um homem pensa em seu coração assim ele é.” Provérbios 23:7
Portanto façamos o que é bom, pensemos no belo e sintamos o agradável, manifestando a presença divina no mundo, transformando nossa vida, nosso mundo e o mundo ao nosso redor, adquirindo muita coragem para suportar as dores, vencer os desafios e a solidão do deserto, enquanto passamos pela transformação necessária.
Então, podemos compreender que Ciência e Espiritualidade caminhando juntas possibilitam evolução?